Ansiedade e TCC

Como lidar com a ansiedade: 3 passos práticos para começar

A ansiedade é uma resposta humana natural diante de situações percebidas como ameaçadoras ou incertas. Observar os pensamentos que aparecem, examinar outras interpretações possíveis e se aproximar gradualmente de situações evitadas são estratégias utilizadas na Terapia Cognitivo-Comportamental.

Por Fernanda Gandour, Psicóloga CRP 05/34288. Publicado em 7 de julho de 2026.

Esses passos não servem para eliminar toda ansiedade nem substituem uma avaliação individual. Eles podem, no entanto, ajudar você a compreender melhor o que acontece e a responder de maneira mais consciente.

A ansiedade é uma inimiga?

Nem sempre. A ansiedade faz parte do sistema de proteção do organismo. Em determinadas situações, ela nos deixa mais atentos e preparados para agir.

O problema pode aparecer quando esse alerta se torna frequente, intenso ou desproporcional ao que está acontecendo. Mesmo sem um perigo imediato, a mente pode antecipar cenários negativos e o corpo pode reagir como se fosse necessário se proteger naquele momento.

Por isso, sentir ansiedade não é sinal de fraqueza. O mais importante é observar com que frequência ela aparece, como afeta a rotina e quais respostas acabam mantendo o ciclo.

Como pensamentos, emoções e comportamentos se relacionam?

Na TCC, pensamentos, emoções e comportamentos são compreendidos como partes conectadas da experiência.

Imagine que você precise apresentar um trabalho. O pensamento automático pode ser: “Vou errar e não vou conseguir lidar com isso”. Esse pensamento pode aumentar o medo e a tensão, levando ao adiamento ou à evitação da apresentação.

Evitar pode trazer alívio imediato. Ao mesmo tempo, a pessoa perde a oportunidade de descobrir que poderia enfrentar a situação, mesmo sentindo algum desconforto. Com o tempo, esse padrão pode fortalecer a expectativa de perigo.

Perceber essa sequência ajuda a criar um pequeno espaço entre o que você pensa, o que sente e a forma como escolhe agir.

Quais são os três passos para lidar com a ansiedade?

1. Identifique o pensamento que acompanha a ansiedade

Quando perceber a ansiedade aumentando, tente observar o pensamento que passou pela sua mente naquele instante.

Alguns exemplos:

  • “E se algo der errado?”
  • “Eu não vou dar conta.”
  • “Preciso ter certeza antes de agir.”
  • “Se eu sentir ansiedade, significa que algo ruim vai acontecer.”

Uma pergunta útil é: “O que eu estou imaginando ou prevendo agora?”

Não é necessário discutir com o pensamento imediatamente. Primeiro, apenas reconheça que ele apareceu. Registrar a situação, o pensamento e a emoção pode ajudar a identificar padrões.

2. Examine o pensamento com mais cuidado

Pensamentos automáticos podem parecer fatos, mas nem sempre representam toda a situação. Em vez de aceitá-los como verdades absolutas, experimente tratá-los como hipóteses que podem ser examinadas.

Pergunte:

  • Quais fatos apoiam esse pensamento?
  • Quais fatos não combinam com ele?
  • Existe outra explicação possível?
  • O que eu diria a uma pessoa querida na mesma situação?
  • Se algo difícil acontecer, quais recursos eu tenho para lidar com isso?

O objetivo não é substituir tudo por um pensamento positivo. É construir uma interpretação mais equilibrada, realista e útil.

3. Aproxime-se do desconforto de forma gradual

Quando a ansiedade leva à evitação, pode ser útil planejar pequenos movimentos de aproximação. Em vez de enfrentar de uma vez a situação mais difícil, escolha um passo possível e seguro.

Se falar em uma reunião provoca ansiedade, por exemplo, uma progressão poderia começar com:

  1. preparar uma pergunta com antecedência;
  2. fazer um comentário breve em uma reunião menor;
  3. apresentar uma ideia para pessoas conhecidas;
  4. participar de uma apresentação mais ampla.

O objetivo não é esperar a ansiedade desaparecer antes de agir. É aprender, aos poucos, que é possível permanecer na situação e desenvolver novas respostas.

Esse processo precisa respeitar o contexto, os limites e o ritmo de cada pessoa. Quando a ansiedade é intensa ou a situação envolve experiências traumáticas, a orientação profissional é especialmente importante.

O que fazer quando esses passos não são suficientes?

Estratégias de auto-observação podem ser um início, mas nem sempre bastam. Considere buscar acompanhamento psicológico quando a ansiedade:

  • ocupa grande parte do dia;
  • interfere no sono, no trabalho, nos estudos ou nos relacionamentos;
  • leva a evitações frequentes;
  • provoca sofrimento persistente;
  • faz você sentir que sua rotina está ficando cada vez mais limitada.

Na psicoterapia, é possível compreender os fatores envolvidos em cada caso e construir estratégias adequadas à história, ao contexto e aos objetivos da pessoa.

Quer ler mais sobre esse tema?

Você também pode conhecer a página sobre terapia online para ansiedade, entender como funciona a terapia online ou saber mais sobre a Fernanda.

Perguntas frequentes

Não. A ansiedade também é uma resposta humana natural. Uma avaliação profissional considera fatores como intensidade, frequência, duração, sofrimento e impacto na vida cotidiana.

Não. Na TCC, questionar pensamentos significa examinar evidências, considerar outras interpretações e buscar uma leitura mais equilibrada da situação.

Não de qualquer maneira. A aproximação deve ser gradual, planejada e segura. Algumas situações exigem avaliação e acompanhamento profissional.

O atendimento online permite trabalhar pensamentos, emoções e comportamentos em sessões por videochamada. A indicação e o planejamento do processo dependem da avaliação individual.

Sobre a autora

Fernanda Gandour é psicóloga, CRP 05/34288, formada pela PUC-Rio e com atuação clínica desde 2018. Atende online mulheres adultas com base na Terapia Cognitivo-Comportamental.

Referências

  1. Carpenter JK, Andrews LA, Witcraft SM, Powers MB, Smits JAJ, Hofmann SG. Cognitive behavioral therapy for anxiety and related disorders: A meta-analysis of randomized placebo-controlled trials. Depression and Anxiety. 2018;35(6):502-514. PubMed.
  2. Craske MG, Treanor M, Conway CC, Zbozinek T, Vervliet B. Maximizing exposure therapy: an inhibitory learning approach. Behaviour Research and Therapy. 2014;58:10-23. PubMed.
  3. van Dis EAM, van Veen SC, Hagenaars MA, et al. Long-term Outcomes of Cognitive Behavioral Therapy for Anxiety-Related Disorders: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Psychiatry. 2020;77(3):265-273. PubMed.

Ansiedade não precisa ser vivida em silêncio

Se a ansiedade tem ocupado espaço demais na sua rotina, a terapia pode ajudar a compreender o que está acontecendo com mais cuidado.